Desde que o samba é samba e que o mundo é
mundo as pessoas manipulam, mentem, roubam, matam, estupram... As leis existem
pela existência prévia dos crimes. Contudo, ao que parece, ainda insistem em
dizer que os publicitários são todos enganadores, mentirosos: um bando de
escrotos. Fato, então – considerando que a publicidade é um ser maligno, o que
ainda será discutido ao longo do texto, não é o único, o pior ou o primeiro.
Além
disso ela não usa necessidades, trabalha com vontades. Mas, com o que trabalha
a Apple? Você não precisa de um iPod, iPhone, iPad, MacBook ou qualquer outro
produto da empresa para viver (a não ser que a Apple venda marca-passos, o que
desconheço). A indústrua da moda que me perdoe, você também não precisa de
roupas de griffe para viver. Você não precisa daquela Coca-Cola (ou aquela
cerveja) gelada num dia de sol. Você não precisa ter filhos. Você não precisa
de nada além de comida, água e atendimento médico para viver.
Viver,
no entanto, não se limita ao necessário. Temos vontade – atenção à essa palavra
– de fazer coisas. Você não precisa de amigos, mas tem vontade de sair para
bater papo com os amigos numa sexta a noite. Não precisa também de um parceiro,
mas, não é questão de necessidade. Estamos sempre atrás do que acreditamos
poder melhorar nossas vidas, mesmo que que não seja bem assim que aconteça.
Pode ser o caso daquela sua ex que só atrasou sua vida. O que tentamos e por
que esperamos nem sempre é o que encontramos.
Não
precisamos de publicidade, da mesma forma que não precisamos assistir televisão
e ler jornais. Pergunte, contudo, o que sustenta os jornais e canais de TV
aberta? Precisamos saber que algo existe para optar por consumir ou não. Esse é
um dos papéis da publicidade – e o jornalismo não pode assumir esse papel
falando de produtos. Se já é deficil ser isento sem ter que fazê-lo, imagine
como seria ao misturar as funções de jornalista e publicitário em apenas uma?
Não
precisa fazer parte desse mundo capitalista em que, sim, há publicidade, há
empresas de todos os ramos - e que visam lucro. O nome disso é vida real: seja
bem-vindo! Se ainda assim você acredita que publicidade não é boa (ao contrário,
é um ser do mau) e continua adorando criticá-la sugiro que pare de comprar
qualquer produto que baseie seus vendas em publicidade, que são muitos. Para
não perder seu tempo procurando por produtos e serviços que não se renderam à
publicidade sugiro que compre uma fazenda (cujo dono não tenha anunciado sua
venda) e vá plantar sua comida. Construa tudo o que precisar.
Enfim,
se pretende viver apenas com o necessário a publicidade não é-o. Mas, se, como
eu a maior parte das pessos, você prefere andar de carro, fazer parte da
sociedade e coisas afins me sinto no papel de alertá-lo. Nesse caso, criticar a
publicidade é falta de visão de mundo ou hipocrisia.
* Não se trata de um conto, pra quem não percebeu.