Munição em sua arma. Comida. Seu plano estava escrito em detalhes. Arrumou tudo que julgava necessário para os três dias de viagem em seu Golf, que comprara novo há poucos anos. Partiu da pequena cidade litorânea cinco dias antes do grande espetáculo, ou seja, sobrar-lhe-iam dois dias na capital. O trajeto foi mais tranquilo do que poder-se-ia esperar. Chegou a seu destino geográfico dentro do cronograma.
Ocorreu-lhe que não tinha o figurino adequado para seu grande show e também não tinha escrito a carta de despedida - uma parte do verdadeiro ritual em que transformaram um simples suicídio. Dois dias e duas necessidades.
Iniciou pelo mais complicado, a carta de despedida. Pensava em seus motivos, em tudo que vivera e em tudo que lhe parecia apenas amargura. Acho por bem destiná-la ao mundo, a todas as pessoas. Não queria nem achava necessário fazer menção a alguém em especial. Começou a escrever. A carta possuía tom mórbido e genérico. Secou ao escrevê-la. Lágrimas não caiam, jorravam mais rápido que conseguia escrever linhas. Não se sabe quantas páginas de choro. Mas, de carta não havia mais de três quartos. Todo o dia e tanto esforço e dor para não mais de vinte linhas. O único motivo que tinha para deitar-se aliviado era a ausência de qualquer atraso em seu cronograma.
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