sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Suicida inepto - Parte II

Pensou em cortar os pulsos, embriagar-se em veneno, promover uma grande chacina em local público... Até jogar-se de monumento turístico. Sabia, contudo, que esses meios seriam inefetivos. Possuía covardia superior a quaisquer padrões. Não teria coragem. Não assim. Superava até a dedicação incondicional - ou quase - a seus planos.
Passava grande parte de sou tempo no computador a pesquisar e indagar-se acerca de tantas maneiras possíveis. Raramente falava com alguém, por telefone - em suas encomendas de livros, comida e artefatos das mais estranhas utilidades. Embora suas pesquisas fossem lentas, já havia decidido o meio de vencer a própria covardia. Um tiro em sua testa. Nada de excessos de sangue, nada de grandes deformações e não era preciso de coragem. Puxar o gatilho. Era apertar e não ter mais tempo para hesitar. 
Agora, como chamar atenção? Queria todos vendo. Não sabia o que TODOS representava. Não se importava com as pessoas e suas opiniões? Era apenas uma mascara? Enfim, não sabia de muito. Só queria que todos vissem: TV, internet, rádio... Não, queria morrer ao som do que gostava: jazz.
Procurou por alguma banda que fosse apresentar-se num teatro grandioso. Suas buscas levaram a uma big band que apresentar-se-ia numa das capitais mais badaladas do país. 
Faltava mais de uma semana para a apresentação. Era perfeito. No teatro esperava-se por mais de quinhentas pessoas - tirando-se da conta os jornalistas e músicos. Queria ser a estrela da noite. Encerrar o show. O som do jazz trocado pelo silêncio. Depois por espanto. Para encerrar, nada mais adequado que uma marcha fúnebre. Nada mais contrário à vida. Nada mais exótico.

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