- Estou grávida? Não estou? Estou? Não estou?
A jovem repetia a pergunta infinitamente em sua cabeça. Morria de medo de estar grávida. Não sabia, no entanto, por qual resultado esperar. Esperava.
- Estou grávida? Não estou? Estou? Não estou?
Uma adolescente, grávida? Tinha medo de não receber apoio do namorado, de ser expulsa de casa, de não conseguir cuidar de um filho. Mesmo assim não pedia para não estar grávida. Não pediu!
- Estou grávida? Não estou? Estou? Não estou?
Sabia que não devia estar grávida. Sabia! Esse é o tipo de duvida que não se pede para que surja. Surgiu! Mesmo não sendo algo esperado, quando a duvida é concreta e a incerteza é tudo o que se sabe - deixam de ter valor as convicções.
- Estou grávida? Não estou? Estou? Não estou?
A dúvida insistia em ficar. Não ousaria pedir por uma gravidez. Não ousava não pedir. Não ousou! Em condições banais, a pergunta seria de fácil resposta. Não era!
Estou grávida? Não estou? Estou? Não estou?
Resolveu , então, abrir o exame. Não esboçou reação alguma, não houve tempo para isso. Correu!
Estava grávida? Não estava? Estava? Não estava?
Nem mesmo as andorinhas que viram-na sair correndo com o papel em suas mãos conseguiram entender. Voaram!
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