A água que a pouco caíra não fez diferença. A pressa incontrolável do suicida não estava, como nunca esteve, sob seu controle. Acostumara-se a esperar pelo fechamento do sinal para fazer a travessia. Mas, era dia do grande plano. Era o grande dia! A pressão acabou tomando a decisão, por quantos segundos? Quem saberá?
Não viu carro algum passando. Resolveu atravessar com o sinal abertos - para os carros. Sua sede de chegar ao outro lado era maior que sua atenção para o que estava fazendo. A última coisa a que prestou atenção foi o outro lado da rua.
Um carro veio a toda velocidade. Seu corpo virou-se de modo que, antes de bater a cabeça no veiculo e apagar, pode apenas ver a imagem da outra margem de concreto girar noventa graus. O carro acertou suas pernas - o que fez seu corpo cair de lado como uma garrafa de plástico com água apenas no fundo.
Conquanto tratar-se de um relato, por completo real, sou única testemunha: a carta (que continha todo o plano). Desfiz-me naquela rua molhada. Ainda assim, em pedaços, fui capaz de ver meu criador tornar-se inanimado como eu.
Quanto a meu criador? Decepcionante seu fim, não? Se pudesse, matar-se-ia novamente.
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